02 março 2007

Do prazer em ver o outro feliz!

Roberto Moraes Pessanha
Professor do Cefet Campos
e-mail: moraes@fmanha.com.br

Este talvez seja um dos sentimentos mais nobres da espécie humana: ver o outro feliz! Há gente que unicamente quer ser feliz. Estes se bastam em sua felicidade, mesmo que solitária. Há outros que gostam de parecer feliz. São os que se preocupam mais com o que os outros pensam deles, do que com o que efetivamente sentem e há infelizes com a felicidade dos outros.

A espécie humana é complexa ao extremo. Há gente feliz sem nada e gente infeliz com quase tudo, que vive procurando a felicidade, em lugares e situações, sempre diferentes de onde está e de onde vive e convive.

Querer ver o outro feliz é nobre, porque significa ter prazer com a felicidade dos outros. É ser mais que solidário. Solidário, quase sempre na prática, significa tentar dar ao outro, algo que já possui. No caso da felicidade, não necessariamente. A nobreza do gesto atinge seu patamar máximo, quando o ato de fazer o outro feliz prescinde de compartilhamento, com o destinatário do gesto.

Analisem e vejam se conseguem encontrar, ao seu redor, alguém com este sentimento ou maneira de ser. Se não for o caso, não há porque reclamar, a vida não contempla a todos da mesma forma. Talvez, você tenha alguém próximo com este jeito de ser e você nunca se deu conta, ou talvez, nunca tenha parado para pensar ou analisar a questão. Isto também é comum.

A maturidade nos faz perder muitas coisas, mas como em quase tudo na vida, há compensações. Com a experiência e com a capacidade de análise um pouco mais aguçada, a gente consegue ver coisas, pessoas e gestos, que antes, talvez fosse impossível.

Insisto na nobreza do gesto de ver o outro feliz, porque há nele mais que bondade, há cessão, há renúncia, há amizade verdadeira. É o tipo de coisa que vem da alma, não vem do saber e nem da lógica. A lógica seria outra e não é do mundo de agora, ela vem de tempos imemoriais: aproveitar o que for possível de outros, em detrimento de quem quer que seja, para eu ser feliz. O caso que me refiro trata-se exatamente do inverso.

Qualquer um de nós vive topando com gente de todo tipo e espécie. Aproveitadores, recalcados, invejosos, maldosos, violentos e também gente neutra, daquele tipo, que parece ser diferente de tudo e todos. Há ainda aqueles que se mostram bons, mas são do tipo oportunista, não pode ver uma chance e aí, não resistem para se aproveitar, tal como um goleador do futebol.

Talvez, nós mortais sejamos um pouco de cada um destes tipos. Este artigo é uma homenagem a uma destas poucas pessoas que vivem alegres em poder dar alegria, mesmo que simples e sem necessariamente raciocinar, sobre o seu gesto, que na verdade eu considero que seja, da personalidade e do jeito de ser e não propriamente de um ato isolado.

Explicito o tema ao público, no desejo que o leitor reflita sobre ele, neste período de quaresma, que para os religiosos é momento de reflexão da alma e do nosso jeito de ser. Faça a sua busca de como você pode, sem ser o mestre que admitiu ser levado à cruz em nosso favor, identificar pessoas e oportunidades em que você sentirá o prazer em ver o outro feliz, sem precisar compartilhar desta alegria.

PS.: Publicado na Folha da Manhã em 2 de março de 2007.

4 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Prof.Roberto

Como é bom encontrar texto, como "Do prazer
em ver o outro feliz", quando já não acreditamos no momento que estamos,vivendo na sociedade,nos deparamos com textos, alertando que
ainda há como mudarmos esta realidade.
Foi muito bom ler este texto. Grata
Celia

09:48  
Blogger discípula said...

Teria que descobrir este texto hoje! Taí! Hoje, 20 de janeiro de 2009. Obama toma posse e já posso antever um Pais mais cheio de vontade de ver o outro feliz!

18:43  
Blogger Rosângela - discípula aprendendo... said...

Eu meu marido e um casal de amigos, fomos convidados hoje por um casal para um churrasco. Detalhe: este casal, os dois têm câncer. Não convivemos muito nestes anos. Mas hoje, sem mais nem menos, nos convidou. Fomos. Lá brincamos, conversamos, nos alegramos, contamos causos, rimos... Na saída pedi se podiamos orar agradecendo a DEus aquele dia tão gostoso!
No final, um deles, faz um agradecimento a DEus e diz que eles crêem que nós somos os unicos e verdadeiros amigos deles.
Cara, a unica coisa que sempre fiz foi pedir a Deus por eles, mas eles nem sabiam disso. E ali puide compartilhar isso.
Foi muito bom vê-los rindo, felizes, descontraídos...
E agora, Roberto, lendo seus titulos, deparo com este e nem lembrava que já havia comentado aqui.
Mas depois deste momento de hoje, não poderia ter lido outro.
QUe coisa linda é a amizade e a vontade de ver o outro feliz. Eu quero ver o Xacal mais feliz também. De verdade...Vai ter mesmo a festa dos blogeiros? Vou vestida de jumentinha. Nâo quero que me vejam... ainda não me sinto tão segura.

Um abraço, Roberto.
Por que os homens complicam tanto as relações, ne?

23:03  
Blogger Débora da Vitória de Jesus. said...

Meu Deus.......... aoretornar aqui, agora ( pois, na verdade, não tinha lido este texto sugerido. Voltando aqui percebi melhor e acabei aqui...

Meu Deus.............................................. hoje é dia de chorar. Talvez chorar todo o choro que não choro nunca...

Nem me lembrava disso... nem lembrava...

~~

18:12  

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