10 março 2006

Pólo petroquímico – vantagens do norte fluminense

A aproximação da decisão sobre a microlocalização do pólo petroquímico no Rio de Janeiro tem aumentado a ansiedade e a tensão entre as regiões concorrentes. Compreensível que a Petrobras, como empresa responsável que é, esteja esgotando todos os limites de prazos para esta definição. Este fato mostra a tendência da Petrobras de caminhar para uma decisão que tenha predominância técnica e econômica. Para isso, sabiamente, aguarda a definição da nova eleição para prefeito em Campos dos Goytacazes e ainda o resultado das prévias do PMDB em que Garotinho é candidato. Um anúncio anterior afetaria de uma ou outra forma estas escolhas eleitorais.

Na avaliação de vantagens e desvantagens há que ser ressaltada a visão e o grau de evolução da empresa do porte e importância da Petrobras em auscultar as lideranças políticas e comunitárias como parte de seu processo de tomada de decisão.

Na reunião do presidente e diretores da Petrobras com prefeitos e lideranças empresariais e comunitárias das regiões avaliadas, foram apresentados três grandes fatores que a empresa está considerando para esta tomada de decisão: os técnico-econômicos, os ambientais e os sócio-econômicos. A partir deles, oito de onze itens listados (73%) têm relação direta ou indireta com a questão ambiental o que torna a região de Campos com vantagens em relação a qualquer outra no estado, aliada ao fato complementar, de estar ao lado da extração da matéria-prima.

Nos dias atuais não há como negar a importância que os aspectos ambientais têm em projetos deste porte. Trata-se do maior empreendimento em um único projeto da história do estado. O processo de licenciamento terá importância definitiva na velocidade da implantação das três gerações de indústrias do pólo. Qualquer retardo afetará a expectativa que os investidores têm com a evolução da demanda de produtos petroquímicos decorrentes do pequeno, mas consistente, crescimento da economia na base da pirâmide social brasileira que prevê o dobro de consumo de produtos plásticos nos próximos sete anos no país.

Outros fatores reforçam a opção pela região norte fluminense. A legislação estadual já em vigor estabelece um ICMS infinitamente menor do que o de outras regiões. A opção estratégica de que a localização em Campos estimularia a desconcentração das atividades econômicas no estado hoje fortemente presente na região metropolitana. Esta opção, ao invés de resolver problemas da região metropolitana com empregos, ampliaria a ainda forte corrente migratória que continua a ocorrer do interior em direção à capital gerando mais favelização e desordem urbana.

A ampliação com a duplicação da BR-101 é outro fator que soma à infra-estrutura existente. A implementação de um porto para exportação de minério fortalece a interface com o Pólo Petroquímico. Outra vantagem é a base instalada de formação profissional, tecnológica, universitária e de pesquisa que congrega 20 instituições com mais de 30 mil alunos desde os cursos técnicos até a pós-graduação com doutorado. A região inclusive já planejou um programa decenal de formação de cem mil pessoas para o empreendimento.

A prefeitura já se comprometeu em contribuir com a infra-estrutura necessária para o fornecimento de água para o pólo que equivale ao triplo do que hoje é consumido pela população do município. Aí está uma outra vantagem da região: o fato das prefeituras locais estarem capitalizadas com os recursos dos royalties diminuindo o peso que os investidores teriam que fazer em outras obras de infra-estrutura já que teriam as prefeituras locais como parceiras. Por tudo isso, ficará difícil desbancar as vantagens do norte fluminense nesta escolha.


Roberto Moraes Pessanha é professor do CEFET Campos, pesquisador do Observatório Socioeconômico do Norte Fluminense e organizador do livro: Economia e Desenvolvimento no Norte Fluminense – da Cana de Açúcar aos Royalties do Petróleo.
Publicado no Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, em 10 de março de 2006.

4 Comments:

Anonymous Ronaldo Aaraujo said...

Prezado Roberto ,
lendo o seu artigo ,há um relato da disponibilização de água para a referida refinaria . Ao lado de desta ação ,não seria também útil disponibilizar um corpo técnico de apoio ,em todos os seguimentos ? Lembro que o nosso Rio paraíba tem uma legislação própria ,no vale do paraíba ,onde o custo por m³ reduz à medida que o efluente devolvido é tratado . Utilizar água do lençol freático sem uma avaliação profunda pode estar causando sérios riscos ,haja vista o acontecido em Paulínia-SP ,com a contaminação do solo pela Shell.
O objetivo é ter um grupo de apoio e que conheça a região.
abs,
Ronaldo
PS : Já imaginou o tamanho de uma central de utilidades ( água , vapor ,energia elétrica ,tratamento de efluentes etc) de um empreendiemnto deste porte ?

17:42  
Blogger Roberto Moraes said...

Olá Ronaldo,

Esta é uma grande questão. Há algum tempo temos dfendido a idéia de que a região (os municípios em conjunto) constituam uma ag6encia de desenvolvimento que para além de dar crédito como faz o Fundecam, direcione o desenvolvimento e empreste apoio, técnico, gerencial, mercado, marketing, etc.aos empreendimentos, especialmente os pequeno e médio porte, mas também poderia constituir um grupo para acomapanhar projetos de maior porte como este.

Esta seria uma forma de aproveitar os bons profissionais e técnicos que possuimos.

Infelizmente esta visão até hoje não foi incorporada. Na verdade o Fundecam fica exclusivamente como um banco e não uma agência de fomento e perdemos oportunidade de incorporar e juntar gente com conhecimentos e potencialidades.

Na verdade, a dificuldade é a de vencer o modelo de administração burocrática e fisiológica que tem imperado na administração pública que reflete o poderio da máquina que vimos ainda ontem como opera.

É possível que mais adiante possamos avançar...

Não sei muito detalhes sobre sobre a negociação sobre o fornecimento de água. Sei que houve um estudo apresentado pela empresa concessionária à Petrobras, no qual a questão das tarifas, porque se trata de 90% de água de processo e apenas 10% de água potável e também o financiameto das instalações por parte do poder público municipal.

Seria interessante, avançar para além disso, com uma central de utilidades, mas aí tem a questão de até onde iria o financiamento público.

Pelo que sei, está descartado a questão de água dos lençois aquíferos. A água a ser utilizada seria do Paraíba e até por isso teria entrado em jogo o estudo da localização em Travessão.

Um abraço,

Roberto Moraes

18:47  
Anonymous Anônimo said...

um abraço no teu cu eu bostaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

09:42  
Anonymous Anônimo said...

chuopa cabraa awnn tesaooo gozeiii 125

09:43  

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