20 outubro 2006

A aviação e o aeroporto de Campos – II

Roberto Moraes Pessanha
Professor do Cefet Campos
e-mail: moraes@fmanha.com.br

Retomo o tema da semana passada fazendo uma correção, talvez um ato falho meu e não do monografista que citei, Cláudio Rodolfo O. Tavares, especialista em Produção e Sistemas do Cefet Campos, ao trocar o prefeito campista Ferreira Paes, pelo sanitarista e grande urbanista da capital federal, Pereira Passos. Freud talvez explique, como o desejo pode se confundir com a realidade.

Uma outra observação é sobre o complemento da informação da origem dos recursos que o prefeito na ocasião, relembro, Ferreira Paes, obteve para a construção do aeroporto com o presidente, general Dutra. Os recursos de 500 milhões tiveram a intermediação do senador José Carlos Pereira Pinto, que na mesma época, atuou na liberação de outra quantia, para a construção da ponte, agora quase sexagenária, que leva o nome do ex-presidente e liga a margem direita a Guarus, em direção ao aeroporto. Bom que houvesse a troca e a imprecisão na informação, elas me permitiram o contato com dois mestres: Ramon Peres Pia e Jorge Renato Pereira Pinto.

Está aí mais uma vantagem em ser professor. Poder, com humildade, restabelecer contatos com ex-mestres e ao mesmo tempo, exemplificar aos nossos novos alunos, que erros e imprecisões até os docentes os cometem, e como!

Volto ao tema, questionando junto com você leitor: como um aeroporto público, que tem uma área total de quase 1 milhão de metros quadrados, um terminal de cargas coberto com 932 m², área de armazenagem com 344 m², área de estacionamento de 3.500 m², área de carga refrigerada com 10,5 m² e área do pátio para carga e descarga com 6.120 m² fica à mingua, como se encontra hoje? Uma inauguração do alfandegamento, às vésperas de uma eleição e nada mais...

Localizado à margem da BR-101, a cerca de cinco quilômetros do centro da área urbana, dotado de pista de pouso e decolagem com 1,54 Km e 45 metros de largura e como tal, a segunda maior pista da Infraero no estado, só perdendo para o aeroporto internacional do Rio de Janeiro tem hoje, utilização menor, do que possuía, antes do início das atividades petrolíferas na região.

Em 1986, portanto, há vinte anos atrás, o aeroporto teve movimento de 14.272 aeronaves e 86,7 mil passageiros, enquanto, em 2005, este movimento caiu para 4.253 aeronaves e de 10,7 mil passageiros. Entre 2000, ano da inauguração do terminal alfandegado e ano passado, a movimentação de cargas, caiu de 358 para 283 toneladas.

O heliporto do Farol, de propriedade da Petrobras e operada, por contratação, pela Infraero, chegou ao seu limite de capacidade de operação com transporte em 2005, de 197 mil passageiros e movimentação de 19,3 mil aeronaves. A empresa está no presente momento decidindo e projetando novo aeroporto, provavelmente na própria Baixada, para dar conta, do aumento de demanda de vôos e passageiros, a partir da ampliação do número de plataformas e da produção na Bacia de Campos.

Vendo estes dados, uma questão se apresenta: como uma cidade e uma região com a pujança econômica derivada da crescente receita dos royalties, que aumentou nos últimos 10 anos, na proporção de trinta vezes, o número de passageiros no aeroporto tenha diminuído? Nem mesmo o fato do ex-prefeito da cidade ter sido tornado governador, depois substituído por sua esposa, conseguiu produzir mudanças? Insisto, em 2001 foram 23,9 mil passageiros e ano passado, no segundo maior aeroporto do estado: 10,7 mil passageiros. Enfim, fica o espanto e a reflexão de mais este por quê. Às vezes, irritado, chego a julgar, que melhor seria o desconhecimento desta realidade.

Publicado pela Folha da Manhã em 20 de outubro de 2006.

2 Comments:

Blogger João Gomes said...

Bom dia!!!
Excelentes colocações. Foram feitas com o coração genuínamente campista sem ser apenas bairista. Muito boas as considerações históricas com citações de verdadeiras personalidades de nossa terra (vide também a construção da Santa Casa de Misericórdia) que merecem ser lembradas.
Felicidades
João Gomes

13:10  
Blogger Roberto Moraes said...

Olá João,

Agradeço pelo comentário.

Abs,

00:29  

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